quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sobre sexo antes do casamento...


Queridos, ultimamente tenho encontrado pessoas cristãs que afirmam que a bíblia não ensina que o sexo é para ser praticado dentro do casamento. Dizem que os namorados cristãos que se encontram em uma relação "madura" de "compromisso" podem transar naturalmente.

Primeiro lugar, o mandamento bíblico que condena a relação sexual fora do matrimônio constitui-se um principio geral que pode ser aplicado a diversas áreas da vida:

"Não cobiçarás" (Ex 20.17).

A cobiça nada mais é do que querer possuir o que não nos pertence. Em 1 Co 7 o Ap. Paulo afirma que o cônjuge tem "poder" sobre o corpo do outro. É outra forma de dizer que um pertence ao outro, logo, no casamento já não vigora a cobiça.
 
Antes que digam que Jesus acabou com a Lei, gostaria de lembrar que com relação ao tema específico da sexualidade Cristo não "suavizou" o mandamento ele o internalizou dizendo que até a "intenção impura" era pecado (Mt 5.28).

Portanto, para os que acham muito difícil pregar e viver a abstinência sexual, vai um aviso, Cristo nos ensinou que só pensar de forma impura já se constitui transgressão, isso é bem mais radical.
Ele estava deixando claro que a obediência a Deus era completamente impossível ao homem por suas próprias forças. E, por isso ele nos propõe um novo nascimento, que pela graça, nos educará a renegar as paixões mundanas (Tt 2.11).

E mais, quando Paulo escreveu aos que estavam propensos a imoralidade sexual (termo grego: 'pornea', que significa relações sexuais ilícitas - tendo como parâmetro de licitude, justamente, o casamento) ele não disse: "SE VOCÊS ESTÃO QUASE FORNICANDO (ABRASADOS) ENTÃO AMADUREÇAM, CRESÇAM EM CONSCIÊNCIA E, DEPOIS DE MUITO ‘AMOR’ E UMAS MASSAGENS NAS COSTAS DELA (PARA FINGIR QUE VOCÊ NÃO ESTÁ APENAS QUERENDO TRAÇA-LA) SEJAM FELIZES E TRANSEM..." Ele disse: casem-se! Ou se solteiro, não toque mulher (1 Co 7.9).

Se um casal se orgulha tanto do seu amor e amadurecimento, então se case! Do contrario é com dizer: Eu te amor muito e sou comprometido com você, mas não quero tornar isso oficial, pois vai que eu não goste do jeito que você transa.
 
Isso é uma relação baseada em lascívia: usar o outro para auto satisfação. E, isso fingindo amor. O AMOR DE 1 Co 13 “Tudo sofre, tudo crê, TUDO ESPERA”. Prova de maturidade não é ter quantidade sexual no namoro, é justamente o contrário. Quanto mais imaturos, mais baseados na satisfação sexual é um casal. Quando o cara esta tentando transar com a moça fingindo um pretexto teológico, realmente é muita prova de amor. Amor a ele mesmo!

“O amor não quer o que não tem” (1 Co 13). O casamento é o ato de “ter” alguém plenamente e, assim poder querê-lo em todos os sentidos.

Escreverei depois, sobre a realidade espiritual da relação sexual, fato que foge a muitos que tentam interpretar a sexualidade aos olhos da bíblia. Falo sobre isso mais tarde...

Deus abençoe,


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Começou a Semana Mundial de Oração contra a Corrupção

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Outubro tem sido um mês de mobilização de cristãos ao redor do mundo que se juntam para orar e jejuar a respeito dos nossos próprios defeitos e, por conseguinte, pela nossa própria corrupção perante Deus. O “Exposed 2013”, uma campanha cristã internacional contra corrupção institucional e pessoal começou ontem, dia 14, e vai até domingo, dia 20, com o slogan “Corrupção Mata! Exponha-a! Denuncie! Ponha um foco de luz na Corrupção”.

Neste período, todos são convidados a participarem de uma vígila de oração e a assinarem o Chamado Global que pede aos líderes do G20 (as 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia) que definam passos em direção à abertura e transparência nas transações financeiras. Segundo a campanha, isto irá ajudar a erradicar o suborno e a sonegação de impostos. O Exposed é coordenado por diversas organizações cristãs, entre elas Aliança Evangélica Mundial (WEA), Sociedade Bíblica e Exército de Salvação.

Especificamente nesta semana (14 a 20), o movimento Exposed 2013, com o apoio no Brasil, do “Ame a Verdade”, tem como objetivos:

- Mobilizar 100 milhões de pessoas ao redor do mundo para adotem formas positivas de resistência a corrupção. Para baixar os recursos disponíveis, clique aqui.
 
- Realizar 2000 vigílias com os mais pobres ao redor do mundo. Acesse o Guia da Vigília aqui.
 
- Coletar 1 milhão de assinaturas de um Chamado Global que será apresentado na reunião do G20, onde estarão as maiores potências econômicas mundiais em 2014, pressionando-os para que adotem mecanismos de transparência e combatam o suborno e evasão fiscal. Acesse a coleta de assinaturas aqui.

Igrejas e movimentos cristãos brasileiros estão participando da Semana de Oração. No Norte do Brasil, a Aliança Bíblica Universitária vem mobilizando universitários. No Nordeste, o pastor José Marcos, da Igreja Batista em Coqueiral, em Recife (PE) e presidente do Instituto Solidare, convoca todos os cristãos para orar e agir. “Este movimento é mais cristão do que as reuniões solenes que fazemos em nossos templos, se estas não levantam um som profético contra as injustiças, sobretudo a corrupção”, diz ele. Elda Mariza Valim Fim, da Igreja Presbiteriana Independente de Cuiabá (MT) também conclama outros cristãos. “A verdade é a pureza de Cristo, a corrupção é a mentira”, ressalta ela.

Mais informações sobre a Semana de Oração contra a Corrupção: www.ameaverdade.com.br

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Gerir os bens, emancipar os pobres, trazer o Reino

Gehard Fuchs, da REPAS, fala sobre justiça social do reino de Deus
Muitos começaram o dia de sábado um pouco mais tarde, e às 8h30 alguns poucos receberam a boa recompensa pela pontualidade. Gehard Fuchs, da REPAS (Rede Evangélica Paranaense de Assistência Social), eleito na última quarta-feira membro da Coordenação Colegiada* de RENAS, resgatou três pontos da sexta-feira de uma nova perspectiva, como ele mesmo disse: a partir do seu locus: a economia.

Quanto é suficiente para você

O primeiro vem das palavras de Ricardo Barbosa, que meditou em Filipenses 4. Gehard repetiu a pergunta de Ricardo “Quanto é suficiente para você, agora falando de dinheiro?”. Segundo ele, definir o suficiente depende do nosso medo: suficiente para um dia, para um ano?

A pergunta inicial leva a outras duas: “O que você vai fazer quando tem menos?” e “E o que você vai fazer quando tem mais?” E a resposta vem da experiência de Paulo: quando tinha menos, ele fazia uma nova tenda para vender, mas quando ele tinha mais ele parava de fazer tendas? Deus deu dons que não devem ser deixados de lado quando você já tem o suficiente, se você não precisa, tem alguém que precisa e você tem que compartilhar. Fazer o que tem que ser feito nessas situações, tem a ver com contentamento.

Emancipar o pobre para participar do seu processo de libertação

O segundo ponto resgatou uma palavra de Ariovaldo Ramos sobre a emancipação do o pobre, a fim de que ele participe do seu processo de libertação.

Gehard contou a história de uma igreja que levou para um bairro pobre de Curitiba uma versão classe média de igreja. Esse modelo tirava do pobre o sentimento de pertencimento, pois quanto o pobre poderia pagar de aluguel por um templo? Nada. Então como fazer para ele sentir que a igreja é dele? Simples, se ele não pode pagar nada, tem-se que ir para a praça, talvez a escola ou o centro comunitário, diz ele.

A leitura econômica da situação também nos faz perguntar como ele vai sentir que o pastor é o seu pastor? Ele não pode pagar, então outras igrejas se juntavam e pagavam para o pastor pregar no domingo. Mas eles sentiam que era deles? Obviamente que não, responde Gehard.

A nova pergunta é como fazer sem templo e sem pastor? A verdade é que eu não preciso de dinheiro para orar ou ter comunhão. Eu posso ter esse espaço, sentir que ele me pertence e uma leitura na perspectiva econômica nos ajuda a entender esse desafio da missão da igreja.

Venha o teu reino

O terceiro resgate traz uma reflexão sobre reino. Se tem reino, tem rei e rei é um cara que tem um território e um povo. Se Jesus e o rei, onde é que ele manda?

O reino de Deus está muito próximo de nós. Se eu deixo Deus mandar na minha vida, ali é o reino de Deus, se não deixo, é outro que está mandando. “Entra na minha casa, entra na minha vida” tem muito a ver com deixar o reino de Deus entrar.

Segundo Gehard, a fé não é um salto no escuro. Paulo disse que Deus providenciou para que todos cheguem ao processo da verdade, mas como então fazer Deus ser ouvido no nosso processo decisório? Ele entende que três formas de ouvir:

 1. Individualmente: Deus fala ao seu coração e a paz é a sua resposta;

2. Coletivamente: “na multidão de conselhos há sabedoria”, logo em uma decisão coletiva, a qualidade tende a aumentar.

3. Unção: Gehard conta que certa vez Deus falou para buscarem a unção. Apenas reunir para orar e cantar. E em uma dessas reuniões uma pessoa começou a pregar e disse “irmão, Deus tem uma palavra para você”. E esse pregador disse para várias pessoas, coisas sobre suas vidas, sem as conhecer. Na visão de Gehard, ele nunca tinha visto o dom do conhecimento e da sabedoria posto em prática tão bem.

Gestão por conhecimento: ouvir nosso coração, ouvir os conselhos da igreja e ouvir a sabedoria daqueles que têm o dom. Assim proporcionamos que o Reino de Deus esteja em nossa casa, nossa igreja, nossa organização, concluiu ele.

* A Coordenação Colegiada é formada por três representantes das organizações que formam o grupo gestor de RENAS. A eleição ocorreu na reunião de filiadas de RENAS

Texto: Tábata Mori (RENAS Goiás)
Foto: James Gilbert

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Uma cartilha para ajudar a enfrentar a exploração sexual de crianças e adolescentes

CartilhaBNRA Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS) está de parabéns, pois tem lutado corajosamente e conseguido, passo a passo, dar visibilidade ao fenômeno da violência sexual contra crianças e adolescentes por todo nosso imenso país. A edição da cartilha “Uma ação educativa contra a Exploração e o Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes”, com seus 10 mil exemplares, mostra a força e o poder dessa militância.

Se me perguntassem: qual a fórmula desse grande sucesso da RENAS? Eu responderia que o segredo está na unidade e na graça de nos encontrarmos no centro da vontade de Deus, realizando sua obra.
A cartilha foi concebida para ser uma ferramenta a serviço da campanha “Bola na Rede”, promovida pela RENAS em parceria com onze organizações e redes.

Nosso principal objetivo é promover uma ação educativa que sensibilize as pessoas para a gravidade da exploração e do abuso sexual de crianças e adolescentes. Esperamos com isso fomentar a quebra do muro do silêncio, o aumento das notificações e a promoção de um ambiente mais seguro e livre de violência sexual para a população infanto-juvenil.

O processo de criação da cartilha contou com a colaboração e sugestões de várias pessoas ligadas à RENAS, dentre as quais destaco, com especial carinho, Ronald Neptune, Eliandro Viana, Tânia Wutzki, Débora Fahur e Ana Paula Felizardo.

Podemos dizer que escrever esse documento foi um grande desafio. O texto devia primar pela objetividade, ser simples, mas, ao mesmo tempo, conter informações relevantes para aqueles que desejassem prevenir e/ou encaminhar para redes de proteção a apuração de casos concretos de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Apesar de abordar o fenômeno da violência sexual de uma forma técnica, mostrando a tipificação de conceitos, estatísticas, legislação e detalhamento do sistema de garantia de direitos, a cartilha ficou bem didática e de fácil compreensão.

Está comprovado cientificamente que no decorrer do nosso processo de aprendizagem retemos apenas 10% do que lemos, 20% do que escutamos, 30% do que vemos, 50% do que vemos e escutamos (audiovisual), 70% do que ouvimos e logo discutimos e 90% do que ouvimos e logo realizamos. Dessa forma, tomando por base esses dados, recomendamos o estudo da cartilha em pequenos grupos e em classes de escola dominical. Para ajudá-lo a otimizar os debates e aprofundar as principais questões associadas ao fenômeno, criamos, logo após a exposição de cada tema, as seções “Para refletir” e “Uma palavra de esperança”. Confiram. Vale a pena.

A RENAS, inicialmente, não tinha recursos para produzir a cartilha. Entretanto, movidos pela fé, cremos que Deus iria prover “o ouro e a prata” e por meio da articulação com alguns parceiros, dentre os quais destaco aqui a Visão Mundial, na pessoa do Welinton, o sonho se transformou em realidade.

Por fim, concluo esse breve comentário, citando Victor Hugo que disse: “Nada é mais poderoso do que uma ideia que chegou no tempo certo”. De fato, meus queridos irmãos, a ideia de mobilizar a igreja para proteger crianças e adolescentes da violência sexual chegou no tempo certo. Acredito que estamos vivenciando um “kairós” de Deus. Essa é nossa hora de fazer história e proteger da violência essa geração de pequeninos. Que o Espírito Santo ilumine e fortaleça a todos nós, para que quando nos apresentarmos, perante nosso mestre Jesus, escutemos de seus lábios: “Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor” (Mt 25.23).
Leolina Cunha
(CECOVI)
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Baixe gratuitamente a cartilha aqui
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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Outra sugestão de Livro: "Teologia Bíblica do Plantio de Igrejas" de Ronaldo Lidório.

Introdução do Livro:

Neste livro desejo abordar o assunto do plantio de igrejas sob três prismas: a teologia do plantio de igrejas, os princípios e estratégias do plantio de igrejas em uma cosmovisão bíblica e, por fim, as possibilidades de um movimento de plantio de igrejas.

Bosch1 entende que a Igreja no final do primeiro século passou a ter uma clara compreensão da necessidade da ekklesia – igreja local – para o enraizamento do evangelho nas cidades, províncias e regiões mais distantes entre os gentios. Michael Green2 destaca que houve uma mudança de percepção quanto à missão evangelística da Igreja nesse período, ao perceberem que Jerusalém deveria ser o berço do evangelho e não o centro dele. Nascia o sentimento de que a Igreja de Cristo deveria se espalhar pelo mundo através de igrejas locais.

O apóstolo Paulo, mais do que qualquer outro, observou a necessidade de não apenas evangelizar as áreas distantes, mas plantar ali igrejas locais que vivam Cristo e falem do Seu Nome. Paulo usa as expressões plantar (1 Co 3.6- 9; 9.7, 10 e 11), lançar alicerces (Rm 15.20, 1 Co 3.10) e dar a luz (1 Co 4.15) ao se referir ao plantio de igrejas. Bowers defende que Paulo, ao afirmar que proclamou o evangelho de Cristo de forma completa (Rm 15.19) queria dizer que igrejas haviam sido plantadas em toda aquela região. O’Brien, concordando com Bowers, expressa que “proclamar o evangelho para Paulo não se resumia simplesmente à pregação inicial ou à colheita de alguns frutos. Incluía toda uma série de atividades ligadas ao amadurecimento e fortalecimento dos convertidos com o intuito de estabelecê-los em novas igrejas locais”.

Apesar da missão da Igreja, sua Vox Clamantis, não ter sido a ênfase da Reforma Protestante, certamente herdamos desse período a clara preocupação com a Palavra e convicção de que somente através dela a Igreja de Cristo se enraizará entre um povo ou em uma cidade. João Calvino enfatizava que “... onde quer que vejamos a Palavra de Deus pregada e ouvida em toda a sua pureza... não há dúvida de que existe ali uma Igreja de Deus3”. 

O próprio termo para igreja no Novo Testamento - ekklesia - é composto pela preposição ek (para fora de) e a raiz kaleo (chamar) que, literalmente, poderia ser traduzido por “chamada para fora de”, dando-nos a ideia de uma comunidade dinâmica, crescente, local, não enraizada em si mesma ou com uma missão puramente interna. Obviamente, o termo também está ligado à “agrupamento de indivíduos” e, de certa forma, à “instituição”, porém adquire o conceito de “comunidade dos santos” e, fora Mateus 16.18 e 18.17, está ausente dos evangelhos aparecendo, contudo, 23 vezes em Atos e mais de 100 vezes em todo o Novo Testamento.

Creio que não há forma mais duradoura de se estabelecer o evangelho em um bairro, cidade, clã ou tribo do que plantando uma igreja local, bíblica, viva, contextualizada e missionária.  

De acordo com Van Rheenen, plantar igrejas é o ato de reproduzir comunidades de adoração que refletem o Reino de Deus no mundo através da proclamação do evangelho vivo. Donald MacGavran desenvolveu o estudo sobre crescimento de igrejas e logo depois Garrison o apresentou em forma de movimentos descritos como “um rápido e exponencial movimento de crescimento de igrejas nativas, plantando igrejas dentro de um povo específico, área ou segmento”.  

Devido à diversidade de termos e definições há algumas limitações no estudo do assunto.  

Uma destas limitações é o estigma normalmente ligado ao conceito de plantio de igrejas. É a abordagem pragmática. Como é um assunto frequentemente associado à metodologia e processo de campo – dentro de um ponto de vista pragmático – somos levados a entender e avaliar plantio de igrejas baseados mais nos resultados do que em seus fundamentos teológicos. Consequentemente, o que é bíblico e teologicamente evidente se torna menos importante do que aquilo que é funcional e pragmaticamente efetivo4. Estou convencido que todas as decisões missiológicas devem estar enraizadas em uma boa fundamentação bíblico-teológica, se desejamos ser coerentes com a expressão do mandamento de Deus (At 2.42-47).  

Uma segunda limitação ao estudar o assunto é aceitar o plantio de igrejas como sendo nada mais do que uma cadeia de soluções para as necessidades humanas. Chamarei de abordagem sociológica; essa deve ser nossa crescente preocupação por vivermos em um contexto pós-cristão, pós-moderno e hedônico. Isso ocorre quando plantadores de igrejas tomam decisões baseadas puramente na avaliação e interpretação sociológica das necessidades humanas e não nas instruções das Escrituras. Nesse caso, os assuntos culturais e carências humanas, ao invés das Escrituras, determinam e flexibilizam a teologia a ser aplicada a certo grupo ou segmento. Vicedon afirma que somente um profundo conhecimento bíblico da natureza da Igreja (Ef 1.23) irá capacitar plantadores de igrejas a terem atitudes enraizadas na Missio Dei e não na demanda da sociedade5. A defesa de um evangelho integral não deve ser confundida com o esquecimento dos fundamentos da teologia bíblica.  

Uma terceira limitação é a abordagem eclesiológica, a qual está ligada à nossa compreensão da própria natureza da Igreja. Apesar de concordar com Bosch que “não é a Igreja de Deus que tem uma missão no mundo, mas sim o Deus da missão que tem uma Igreja no mundo”, precisamos clarear o valor da Igreja em termos de identidade. Quando Dietrich Bonhoeffer escreveu que “a Igreja é Igreja apenas quando existe para outros6 creio que ele está parcialmente certo. Apesar de a Igreja possuir um papel prioritário em termos de atuação missionária, seu valor intrínseco, extramissão proclamadora, precisa ser reconhecido porque é o resultado do sacrifício de Jesus e Ele e a cruz são o centro do plano de Deus. Assim, apesar da Missão ser uma constante prioridade bíblica na vida da Igreja, não devemos definir essa Igreja apenas a partir da proclamação do evangelho sob pena de nos tornarmos extremamente funcionalistas e utilitários. Adoração, doutrina, fidelidade, santidade, unidade e comunhão são, também, importantes aspectos que compõe a identidade da Igreja. Assim sendo, a Igreja não é um mecanismo primariamente desenhado para evangelizar pessoas, mas um instrumento para glorificar a Deus (Ef 3.10) e a proclamação – evangelização - é uma de suas funções e resultado de sua existência. A ausência dessa compreensão mais ampla tem gerado igrejas que, competentemente, espalham o evangelho mesmo não o vivenciando em sua vida diária. Igrejas evidentemente missionárias, mas sem o caráter de Jesus. Bíblicas apenas em uma fatia da vida cristã.

Essa compreensão eclesiológica, porém, não diminui a responsabilidade da Igreja perante o mandamento missionário de Cristo. Não podemos subestimar nossa vocação missionária de proclamar o evangelho a tempo e fora de tempo, enquanto é dia. A proclamação, apesar de não ser a única característica procurada por Deus em Sua Igreja, é possivelmente a propriedade mais urgente e vital para o mundo em trevas. A ausência desse sentimento na vida diária da Igreja é sintoma de enfermidade crônica, espiritual e bíblica.

Tendo dito isso, devemos compreender que Deus pode ser glorificado tanto em uma cruzada evangelística com um milhão de pessoas em Acra quanto em um culto doméstico em uma pequena igreja em Hayacucho (Rm 16.25-27).  

A clara diferença entre a evangelização e o plantio de igrejas é o propósito. No primeiro tencionamos apresentar Cristo a um indivíduo que poderá guardar para si o evangelho ou anunciá-lo a outros. No segundo apresentaremos Cristo a indivíduos em uma área definida de relacionamentos que se fortalecerão em uma comunidade que será capaz de prover ensino da Palavra, ambiente para a oração, comunhão e levá-los a apresentar Jesus a outros. Igrejas plantam igrejas.  

O apóstolo Paulo, além de todas as suas iniciativas evangelísticas pessoais, jamais deixou dúvida que a estratégia para a evangelização de um povo, cidade ou bairro, seria plenamente atingida apenas através do plantio de igrejas locais bíblicas, vivas, autossustentáveis, autogovernáveis e missionárias.  

A igreja plantada mais rapidamente em todo o Novo Testamento foi plantada por Paulo em Tessalônica. Ali o apóstolo pregava a Palavra aos sábados nas sinagogas e durante a semana na praça; assim o fez durante três semanas e nasceu, então, uma igreja local. Em 1 Ts 1.5, Paulo diz que o nosso evangelho não chegou até vós tão somente em palavra (logia - palavra humana), mas, sobretudo em poder (dinamis - poder de Deus), no Espírito Santo e em plena convicção (pleroforia - convicção de que lidamos com a verdade).  

Assim, percebemos que a igreja nascera em Tessalônica pelo poder de Deus, pelo Espírito Santo e pela plena convicção. O poder de Deus manifesta o próprio Deus e Sua vontade. Sem o poder de Deus não haveria transformação de vida e sociedade. Sem o poder de Deus a Palavra não seria compreendida. Sem o poder de Deus todo o esforço para plantar igrejas seria reduzido a formulações estratégicas de ajuntamento e convencimento. O Espírito Santo é o segundo elemento relatado por Paulo no plantar da igreja em Tessalônica. Sua função é clara na conversão dos perdidos, em conduzir o homem à convicçãode que é pecador e está perdido. Em despertar nesse homem a sede pelo evangelho e atraí-lo a Jesus. Sem o Espírito podemos compreender que somos pecadores, mas somente o Espírito nos dá convicção de que estamos perdidos e necessitamos de Deus. Sem a ação do Espírito Santo a evangelização não passaria de proposta humana, explicações espirituais, palavras lançadas ao vento, sem público, sem conversões, sem atração a Cristo. A clara convicção é o terceiro elemento citado por Paulo no plantar da igreja em Tessalônica. Trata da certeza de que lidamos com a verdade. É a verdade de Deus. O plantio de igrejas é um processo profundamente associado à verdade de Deus, à Sua Palavra. Não necessitamos - ou podemos - utilizar expediente puramente humano para que igrejas sejam plantadas. O marketing, as estratégias, os métodos de comunicação e ajuntamento, a sociologia e antropologia são coadjuvantes no ato de plantar igrejas. Devemos nos ater à Palavra - sua exposição. À Cristo - proclamá-lo. Ao testemunho - evidenciar nossa experiência com Deus. 

Paulo, certamente, utilizou-se da logia, das palavras, no plantio da igreja em Tessalônica. Ele nos ensina, porém, que não foi tão somente com palavras, mas com palavras cheias do poder de Deus, usadas pelo Espírito Santo e convictas de que se lida com a verdade do Senhor, que nasceu ali uma igreja local. 

1 David Jacobus Bosch. Transforming Missions – Orbis books, 1991.  
2 Michael Green. Evangelização na Igreja Primitiva. Ed. Vida Nova, 2000. 
3 Preaching and Faith. UFT Publications, 1940. 
4 Veja John Stott.The Living God is a Missionary God. Pasadena. William Carey Library, 1981.
5 Vicedom, George F. The Mission of God. St. Louis. Concordia, 1965.
6 Em Letters and Papers from Prison. New York. Macmillan, 1953.

Este Livro me ensinou muito daquilo que vivo e prego hoje, ele é uma espécie de continuação do "Os Essenciais da Missão", que coloquei anteriormente aqui para download, além deste ainda tem outro o "Estratégias para o Plantio de igrejas", que seria a continuação deste, em breve colocarei que para que vocês tenham acesso.
Pr. Rodrygo Gonçalves

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sugestão de Livro: "Os Essenciais da Missão" de Ronaldo Lidório


Trecho do livro:

"Partilhamos nessas linhas algumas convicções missionais: a mensagem missional (o evangelho - Jesus - é o poder de Deus); a necessidade missional (o homem, impiedoso e perverso, está perdido); e a manifestação missional (Deus convida o mundo a crer: o justo viverá por fé). 
O pastor Hernandes Dias Lopes diz que a obra missionária é imperativa, intransferível e inadiável. Ele tem razão. Diz também que a Igreja é a única que não ouve e obedece a voz de Deus. 
Deus ordenou e sua Palavra sempre foi obedecida. Ele disse ‘haja luz’ e houve luz. Falou ao mar e ele se abriu. Sua palavra foi obedecida por demônios que foram expulsos, enfermos que foram sarados, muralhas que caíram. Ele falou à tempestade e ela se acalmou. 
Ele também ordenou a igreja: vá por todo o mundo anunciar Jesus a todas as nações. Após dois mil anos de Cristianismo, Jesus ainda permanece desconhecido por boa parte do planeta, mais de 3.500 línguas faladas por dois bilhões de pessoas não o conhecem. Será a Igreja, perante todos, a única a desobedecer ao comando do Senhor?"

Faça o download: http://instituto.antropos.com.br/downloads/ebooks_html/osessenciaisdamissao/ 

Esse Livro marcou minha vida, pois me ensinou sobre princípios fundamentais de missões, é um dos livro que quero para ser a leitura obrigatória da "Escola de Missões Nação Belém". 
Pr. Rodrygo Gonçalves

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Evangelismo com Futebol no Tucunduba

No dia 31 de agosto foi o evangelismo na Terra Firme, imediações do canal do Tucunduba, onde ministrei, era um evento do Congresso Geral de Jovens da Assembleia de Deus em Belém, e pela primeira vez vi todas as pessoas aceitarem a Jesus, foi muito impactante. 
Pr Rodrygo Gonçalves

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Seminário Mergulhando na Palavra


O Seminário Mergulhando na Palavra é promovido pela JOCUM (Jovens Com Uma Missão), coordenado pelo Pastor e Missionário Yon Alecsanders Santana Torres e ocorrerá nos dia 23, 24 e 25 de agosto na Assembleia de Deus da Praia Grande localizada na Frank de Menezes próximo a delegacia em Outeiro.

Investimento: R$ 10,00

Horários: 23/08 (Sexta) das 19h as 21h.
24/08 das 14h as 21h com dois intervalos.
25/08 das 08h as 12h.

Não Fique de Fora!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Posse na Assembleia de Deus da Praia Grande


No dia 4 de Agosto tomamos Posse da Assembleia de Deus da Praia Grande, igreja que nos servirá de base para o trabalho nas ilhas. 

Depois de uma palavra de Deus, nos mudamos para o distrito de Icoarací, mas nosso destino final é a Ilha do Outeiro, ilha essa que já bem desenvolvida em relação as outras por conta de uma ponte que liga o distrito de Icoarací a Ilha do Outeiro.

A Ilha de Caratateua mais conhecida por ilha do Outeiro, é muito conhecida pelas oferendas a uma deusa e, a praia grande é um centro de despacho, fora o fato de a praia, hoje considerada periferia de Belém, atrair muitos alcoolatras, fora outros tipos de problemas. A palavra que Deus nos deu é Deuteronômio 12: 2-5

"Totalmente destruireis todos os lugares, onde as nações que possuireis serviram os seus deuses, sobre as altas montanhas, e sobre os outeiros, e debaixo de toda a árvore frondosa;

E derrubareis os seus altares, e quebrareis as suas estátuas, e os seus bosques queimareis a fogo, e destruireis as imagens esculpidas dos seus deuses, e apagareis o seu nome daquele lugar.
Assim não fareis ao Senhor vosso Deus;
Mas o lugar que o Senhor vosso Deus escolher de todas as vossas tribos, para ali pôr o seu nome, buscareis, para sua habitação, e ali vireis."
Cumprindo esta palavra estamos em Outeiro na Praia Grande e em Jutuba visando também outras ilhas para Gloria de Deus.

Pr. Rodrygo Gonçalves
Pastor das Assembleias de Deus de Jutuba e Praia Grande

segunda-feira, 29 de julho de 2013

1º Seminário de Educação por Princípios


Em agosto teremos uma programação direcionada a você professor, gestor e envolvidos na área de educação cristã, na qual iremos abordar de maneira ampla, temas de extrema relevância para a sua instituição e para sua vida profissional.

Só neste seminário você encontrará:
- A vida do professor cristão.
- O professor profissional
- Princípios básicos de gestão: em sala de aula, na orientação bem sucedida, planejar para orientação.
- Disciplina: treinando crianças a maneira de Deus.
- Tarefas escolares: Circulo de abertura, música = a linguagem do coração, contar historias = conectar ao coração da criança.

Loca: Escola Gerson ribeiro – estrada do maguari, 1697
Data: 8, 9 e 10 de agosto de 2013

Investimento: R$ 30,00

Fonte: http://www.jocumbelem.org.br/index.php/noticia/34-1-seminario-de-educacao-por-principios