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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Os Moravianos e as missões

Kenneth B. Mulholland
Wiiliam Carey é considerado o pai das missões Protestantes, primariamente pelo fato de ter ele fundado a Sociedade Missionária Batista. Tal sociedade teve seu início em 1792, 275 anos após Martinho Lutero ter afixado as Noventa e Cinco Teses à entrada da Igreja de Wittemberg em 1517. Essa sociedade foi um veículo Protestante para o envio de missionários ao mundo não Cristão. Carey, contudo, não inventou o movimento missionário Protestante. Ele construiu a plataforma da qual o movimento missionário Protestante tinha lançado, de uma série de pranchas cortadas durante séculos, entre Lutero e ele. Uma dessas pranchas foi o Pietismo, um movimento evangélico interdenominacional e internacional, que procurava revitalizar a igreja existente, através de pequenos grupos dedicados ao estudo da Bíblia, oração, responsabilidade mútua e missões. August Hermann Francke definiu a agenda do Pietismo em apenas doze palavras: “uma vida mudada, uma igreja reavivada, uma nação reformada, um mundo evangelizado”. O Pietismo primeiramente despertou uma visão missionária entre os protestantes, enviando missionários para a Índia e Groelândia.
Duas outras pranchas significativas na plataforma de Carey foram a Igreja Moraviana e os Puritanos. Os Moravianos foram os primeiros Protestantes a colocar em prática a idéia de que a evangelização dos perdidos é dever de toda a igreja, e não somente de uma sociedade ou de alguns indivíduos. Anteriormente, a responsabilidade pela evangelização havia sido lançada nos degraus dos governos, através das atividades colonizadoras deles. Os Moravianos, contudo, criam que as missões são responsabilidade de toda a igreja local. Paul Pierson, missiólogo, escreveu: “Os Moravianos se envolveram com o mundo de missões como uma igreja, isto é, toda a igreja se tornou uma sociedade missionária”. Devido ao seu profundo envolvimento, esse pequeno grupo ofereceu mais da metade dos missionários Protestantes que deixaram a Europa em todo o século XVIII.
De fato a história dos Moravianos antecede à Reforma. Conhecidos originalmente como os Unitas Fratrum, ou a Unidade dos Irmãos, esses cristãos Checos foram os seguidores do mártir John Huss, um Reformador antes da Reforma. Ele foi martirizado em 06 de julho de 1415, e os Moravianos honram sua morte no calendário deles ainda hoje.
Após a morte de Huss, seus seguidores, que foram muitas vezes conhecidos como Hussitas, ou como os Irmãos Boêmicos, experimentaram um verdadeiro ressurgimento. Eles se reorganizaram no ano de 1457, e no tempo da Reforma havia entre 150 a 200 mil membros em quatrocentas igrejas por toda a Europa Central. Mas, no levante das guerras dos 1600, a Boêmia e Morávia (Repúblia Checa) foram dominadas por um rei católico romano, o qual desencadeou uma terrível perseguição contra os Moravianos. Quinze de seus líderes foram decapitados. Os membros da igreja foram mandados para os calabouços e às minas para trabalhos forçados. As escolas deles foram fechadas. Bíblias, hinários, catecismos e escritos históricos foram totalmente queimados. Foram todos espalhados. De fato, 16 mil famílias repentinamente se tornaram refugiadas. Por quase cem anos procuravam fugir da perseguição. Por causa disso formaram uma poderosa rede de cristãos “clandestinos” através de pequenas células.
Anos mais tarde, em 1722, um pequeno grupo desses refugiados estava à procura de algum lugar onde pudesse se sentir seguro. Quando cruzaram a divisa da Alemanha, ouviram de um lugar conhecido como Herrnhut, uma pequena faixa de terra na propriedade de Nicholas Ludwig von Zinzendorf. Pediram se podiam ficar ali. Zinzendorf não estava no momento, mas o administrador lhes permitiu acampar-se no sítio.
Zinzendorf, um aristocrata, tivera ligações anteriores com o movimento Pietista. Seu padrinho fora Philip Spener. Quando tinha dez anos foi enviado para estudar em Halle, onde seu professor fora August Hermann Francke. No período que lá estivera, seu mentor foi Bartholomew Ziegenbalg , o primeiro missionário Protestante para a Ásia, que estava de férias (tipo de ano sabático).
Zinzendorf descreveu sua vida em Halle da seguinte maneira: “Encontros diários na casa do professor Francke; relatórios edificantes concernentes ao reino de Cristo; conversa com testemunhas da verdade em regiões longínquas; contato com diversos pregadores; luta dos primeiros exilados e prisioneiros. A satisfação daquele homem de Deus e a obra do Senhor juntamente com várias provações que o envolveram, fizeram crescer meu zelo pela causa do Senhor de uma maneira poderosa”.
Enquanto Zinzendorf esteve em Halle, foi um instrumento na formação da primeira sociedade missionária de estudantes Protestantes chamada de a “Ordem do Grão de Mostarda”. depois disso foi para Wittemberg para estudar Direito devido seus pais não aceitarem a idéia de ele se tornar um pregador. Quando concluiu o curso de Direito, fez uma grande viagem turística pela Europa, o que era comum para os membros da aristocracia daqueles dias. Como parte dessa viagem, foi a um museu de arte em Dusseldorf, Alemanha, e lá viu um quadro do “Cristo de Coroa de Espinho”, com a seguinte inscrição: “Eu fiz isto por ti; o que fazes tu por mim?”.
Isso lhe causou uma profunda impressão e o levou a escrever em seu diário: “Tenho amado-o por longo tempo, mas realmente nada tenho feito por ele. De agora em diante farei tudo que me seja dado fazer”. Voltou para Herrnhut para onde os refugiados Moravianos formaram uma comunidade com cerca de trezentos membros. Zinzendorf assumiu a responsabilidade, não apenas supervisionando como dono da terra onde viviam, mas sim para lhes servir de pastor. Em 1727 um derramar do Espírito de Deus uniu a comunidade.
Cinco anos mais tarde, em 1732, Zinzendorf foi convidado a assistir a coroação do rei Dinamarquês (ele estava ligado à família real na Dinamarca). Enquanto lá, descobriu o produto das missões Dinamarca-Halle: alguns convertidos Esquimós da Groelândia e uma pessoa convertida do Oeste da Índia, um primeiro escravo cujo nome era Anthony. Tais pessoas fizeram um apelo a Zinzendorf: “Você não pode fazer alguma coisa para nos enviar como missionários?”. Seu coração ficou muito quebrantado. Voltou para a comunidade e lançou diante dela o desafio para o envio de reforços missionários para Groelândia, Índia e outras partes do mundo onde pessoas não conheciam a Cristo. Vinte e seis pessoas imediatamente se ofereceram como voluntárias, e assim o Movimento Missionário Moraviano foi lançado. Nos vinte e oito anos seguintes mais do que duzentos missionários Moravianos entraram em mais de doze países para implantação de trabalho missionário em torno do mundo.
O trabalho dos Moravianos foi guiado por um número de características que os distinguiram. Primeiro, eram profundamente dedicados ao Senhor Jesus Cristo. Eram extremamente cristocêntricos. Numa certa ocasião, quando eu ministrava na Nicarágua, os cristãos Moravianos me deram uma placa de madeira com o selo de sua igreja. Traz um Cordeiro triunfante do livro de Apocalipse. Diz assim: “Nosso Cordeiro venceu; vamos segui-lo”. Os Moravianos pregavam Cristo. Zinzendorf aconselhava os missionários que saiam: “vocês devem ir direto ao ponto e falar-lhes a respeito da vida e da morte de Cristo”. Os missionários primitivos tinham o costume de elaborar provas da existência de Deus, como se estivessem dando palestras teológicas. Zinzendorf apelou aos missionários para que simplesmente lhes contassem a história de Jesus. Há inúmeros relatos de como aquela história despertou corações dormentes que foram trazidos ao Salvador; segundo, os Moravianos, diferentemente dos pietistas primitivos, não eram altamente educados nem teologicamente treinados. Eram comerciantes. De fato, os dois primeiros missionários que foram enviados eram coveiros por profissão! As próximas duas pessoas que enviaram, um era carpinteiro e o outro, oleiro. Os Moravianos abriram o ministério ao leigo e a ministração às mulheres, antecipando J. Hudson Taylor nessa questão mais de cem anos antes; terceiro, criaram a estratégia missionária de fazedores de tendas (o missionário trabalhar e se auto-sustentar no país). Muitas pessoas pensam que o sistema de fazedores de tendas é coisa recente. Mas, o movimento missionário Moraviano se baseava nisto. Além do mais, como pode uma vila de seiscentas pessoas sustentar duzentos missionários? Resposta: Eles trabalhavam para a sobrevivência. Zinzendorf dizia que trabalhar em fazenda e indústria prende muito as pessoas, mas o comércio lhes daria mais flexibilidade. Ele sentia que a prática de trabalho e o ensino que podiam dar nesta área não apenas levantaria o nível econômico do povo para onde eram os missionários enviados, mas também proveria meios de se fazer contato com aquela gente. O livro ‘Lucro para o Senhor`relata como os Moravianos usaram o fazer tendas como estratégia para o trabalho missionário em meados de 1700; quarto, os Moravianos foram a pessoas que viviam na periferia da sociedade. Devido aos Moravianos terem sido pessoas sofredoras, podiam facilmente se identificar com aqueles que sofriam. Eles iam àqueles que eram rejeitados por outros. Dificilmente qualquer missionário seria mandado para a costa leste de Honduras ou Nicarágua. Essas partes da América Central eram inóspitas. Lá, contudo, estavam os Moravianos. Isso era característico da vocação missionária deles; quinto, eles se dirigiam a pessoas receptivas. Devido ao fato dos Moravianos crerem ser o Espírito Santo ser o “Missionário” primário, aconselhavam seus missionários a “procurarem as primícias. Procurarem aquelas pessoas que o Espírito Santo já havia preparado, e trazer-lhes as boas novas ”; sexto, eles colocavam o crescimento do reino de Cristo acima de uma expansão denominacional. Zinzendorf não pretendia exportar as divisões denominacionais da Europa. Ele se tornou um pioneiro ecumênico (entre cristãos), no melhor sentido do termo, 150 anos antes de qualquer um imaginar tal possibilidade; sétimo, a obra missionária Moraviana era regada de oração. Quando o avivamento espiritual ocorreu em 1727, começaram uma vigília de virada de relógio, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, trezentos e sessenta e cinco dias por ano. O livro devocional conhecido como Lemas Diários, que ainda tem sido publicado pela Igreja Moraviana, era o devocional mais amplamente usado entre os cristãos europeus. O ministério Moraviano era fortemente regado por oração (tiveram uma vigília de oração que durou um tempo de 100 anos literalmente – nota do tradutor).
Os Moravianos tinham trabalho missionário no Estado da Geórgia devido ao General Oglethorpe ter sido influenciado por Zinzendorf, que fazia parte de um grupo missionário de estudantes que começou em Halle. Quando João Wesley viajou para os Estados Unidos, seu navio enfrentou uma terrível tempestade. Wesley ficou super abalado. Somente os Moravianos, que se mantinham num senso de paz com Deus, lhe encorajaram no pânico. Foram eles que lhe apresentaram a necessidade de um relacionamento pessoal com Cristo. Retornando para a Inglaterra, após um trabalho frustrado na Geórgia, disse: “fui para converter os índios, mas, quem, ó quem me converterá?” Ele foi para uma reunião num encontro de Aldersgate – um encontro dos Moravianos – durante o qual seu coração, segundo ele, foi “estranhamente aquecido” e assim encontrou segurança para a sua salvação. Foi para Herrnhut a fim de examinar o trabalho Moraviano, e, como resultado, ele padronizou a obra do Metodismo no modelo Moraviano. Assumiu como moto as palavras de Zinzendorf: “o mundo é minha paróquia”.
Os Moravianos também exerceram uma forte influência sobre William Carey, o qual teve grandes dificuldades em gerar sustento para a idéia de uma sociedade de missões. Aqui está um relato de como a fundação da sociedade missionária veio a acontecer. Numa noite, um pequeno grupo de 12 ministros e um leigo se reuniu com William Carey na espaçosa casa da viúva Wallace, conhecida por sua hospitalidade como a Hospedeira do Evangelho. Novamente, Carey fez pressão para a ação. Mas, novamente os irmãos oscilaram. Afinal, quem são esses homens? Ministros de Igrejas de pobres-feridos, para sustentar uma missão, tão assediadas de dificuldade, tão cheias de incertezas. No momento crucial, quando todas as esperanças pareciam se esvair, Carey tirou do bolso um livreto intitulado Periódico de Contos das Missões Moravianas. Com lágrimas nos olhos e com voz trêmula, afirmou: “se vocês apenas tivessem lido isto e soubessem como esses homens venceram todos os obstáculos por amor a Cristo, dariam um passo de fé”.
Foi a gota d’água! Os homens concordaram em agir. As atas da reunião registram a decisão deles de formar “A Sociedade Batista Particular para Propagação do Evangelho entre os pagãos”, também conhecida como a Sociedade Batista Missionária. Sua força repousa na motivação provida pelo relato dos missionários Moravianos.
Alguém, certa vez, perguntou a um Moraviano o que significa ser um Moraviano. Ele respondeu: “ser um Moraviano e promover a causa global de Cristo são a mesma coisa”.
(Artigo: The Moravians and Missions: de Kenneth B. Mulholland – Professor de Missões e Estudos Ministeriais, do departamento de Missões do Seminário de Columbia, Carolina do Sul. Fonte: Bibliotheca Sacra, Abril de 1999 – Tradução do Rev. José João de Paula – secretário da APMT).
Revista Alcance – 3º Trim. 2003

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Missão Eted Ribeirinhos concluída com sucesso...


Realmente foi um tempo de ser #LimpoPelaPalavraQuero agradecer de todo o meu coração pela vida dos meus pastores Rodrygo e Thati que me apoiaram nesse tempo, vocês são presente de Deus em minha vida, muito obrigado por estarem comigo nesse período, e caminharem ao meu lado... Obrigado tb toda família Nação Belém...

domingo, 18 de setembro de 2016

Culto de Envio do Adhilio Wictor.

Neste sábado dia 10 de Outubro foi o Culto que marca o encerramento do período teórico e envia os alunos da ETeD para o período Pratico e nós estivemos lá para prestigiar nosso missionário Adhilio Wictor que irá para Região Ribeirinha da Cidade de Portel.


Foi muito bom ver o crescimento do Adhilio, agora é tempo de orar por esses dois meses de Período Prático, onde ele irá ficar em uma comunidade exercendo o aprendizado sobre desenvolvimento comunitário.


Essa é a equipe de missionário e alunos, que Deus os faça permanecer em seus propósitos.

domingo, 26 de junho de 2016

Nação Belém em viando mais um...

O Nação Belém tem a honra de enviar mais um de seus missionários, agora foi o Adhilio Wictor que foi para Jocum Alcance Amazônico para participar da ETED (Escola de Treinamento e Discipulado) 2016 que tem por tema deste ano: ‪#‎LimposPelaPalavra‬. 

A ETED iniciou dia 21 de junho e ira até novembro de 2016, se você quiser saber mais sobre este curso pode entra da paginas da JOCUM Alcance Amazônico.

Que esse tempo seja de grande aprendizado para nosso missionário...


domingo, 5 de junho de 2016

1º Seminário Efatá- Missões estratégicas

A União Missionária Efatá é uma instituição missionária interdenominacional que fomenta a educação cristã, formação de missionários e experiências consistentes em campo. 

Neste seminário trataremos sobre o tema Missões Estratégicas no âmbito das missões urbanas e missões com povos não alcançados, sendo indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Teremos a presença de missionários que contribuíram com sua formação e experiência nos impulsionando para a capacitação ao campo missionário. 

Pastor Luciano Oliveira virá de Cabo Frio (RJ) para falar de suas experiências no MEVAM e a missão de evangelizar nas cidades. 

Missionária Jéssica Gonçalves falará do Projeto Campos Brancos e as missões com comunidades não alcancadas que vivem distante dos centro urbanos, sendo indígenas, quilombolas e ribeirinhos. 

Missionária Mayara Filgueira virá da JOCUM Alcance Amazônico para compartilhar conosco sobre o trabalho com os ribeirinhos de nossa região. 

Missionário Rafael Sousa, lider e fundador da União Missionária Efatá estará ministrando uma palavra de Deus pra sua vida. Venham...o Reino chama!!!

PROGRAMAÇÃO:

DIA 24 (SEXTA FEIRA-ABERTURA).
Ministração: Miss.Rafael Sousa.
Início: 19:00.
DIA 25 (SÁBADO).
1°Ministração: Miss. Jessica Gonçalves.
Coffee Break.
2° Ministração: Miss. Mayara Filgueira.
Inicio: 08:00 hs
3° Ministração:Pr. Luciano Oliveira.
Inicio: 19:00.
DIA 26 (DOMINGO-ENCERRAMENTO).
Ministração: Pr.Luciano Oliveira. 
Inicio: 18:00 hs.

Inscrições e informações no link: http://tinyurl.com/j66c789

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Escola Aberta de Missões - Curso à distância


Foto de Missão na Íntegra.

Já iniciaram as inscrições para o primeiro Curso da Escola Aberta de Missões (EAM)! O curso é direcionado àqueles que têm interesse em aprender mais sobre Missão e Evangelização.
Últimas vagas! 
Informações e inscrições: 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A responsabilidade é nossa, da igreja!


                                                                   Por Rodrygo Gonçalves
Quantos Missionários tem ido a campo sem apoio, sem sustento e sem cobertura de oração? Quantas igrejas têm ignorado o “ide” e deixado de apoiar, sustentar e cobrir missionários em oração?
Pessoalmente, é bem difícil falar desse assunto, pois me preparei para ser missionário em tribos indígenas (2008 e 2009), fui reconhecido como missionário pela igreja, meu pastor que era “limitado”, pois era apenas pastor de adolescentes, me ofertou a passagem, mas só pôde de ajudar com isso, e fui! Mas por vários motivos voltei e não fui mais por falta de apoio da igreja. Hoje sou pastor de jovens e quero fazer pelos missionários aquilo que não fizeram por mim.
A bíblia deixa bem clara a responsabilidade da igreja de cumprir o “ide” em todas as Nações (Mc 16: 15; Mt 28: 19), se pensarmos a igreja como instituição e templo, ela jamais alcançará uma outra nação. Mas o Apostolo Paulo nos mostra a igreja como um corpo que possui vários membros (1 Co 12: 12-27), pensando dessa forma é possível enviar um membro desse corpo para representar a igreja no cumprimento do “ide” a uma outra nação. 
O Apostolo Paulo foi enviado pela igreja de Antioquia (At 13: 1-3) e na carta aos romanos fala a eles sobre a importância do envio: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? (Rm 10: 14, 15 grifo meu).
É responsabilidade da igreja não apenas reconhecer (como fizeram comigo), mas enviar! Ou seja, dar apoio em todas as áreas necessárias, tanto financeira quanto espiritual, cuidar como um membro do corpo em tudo: “Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele” (1 Co 12: 26 grifo meu).
Sei que existem muitos missionários que vão ao campo sem apoio da igreja, muitas vezes sem preparo nenhum, não os culpo, pois na maioria dos casos é a igreja que não se importa com missões transculturais, pois só trazem custos, investir em um missionário “é investimento sem retorno” se pensarmos de forma humana. A maioria das igrejas de hoje querem evangelizar pessoas para serem membros de suas igrejas, transformando-se em dizimistas e ofertantes, esquecem que a prioridade é onde o evangelho ainda não foi anunciado (Rm 15: 20).
A pior de todas as situações é quando a igreja envia o missionário e o abandona no campo, o missionário vai com tanta esperança, acreditando nas promessas de apoio financeiro e espiritual, mas quando está lá é esquecido. Infelizmente isso tem sido mais comum do que imaginamos. O corpo deixa um membro morrer!
Não é saudável um missionário ir ao campo sem apoio de uma igreja, mais a omissão e abandono da igreja tem feito a exceção virar regra! Precisamos refletir e renovar nossa mente quanto a missões.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A Tríplice Missão: Apocalipse 5:1-14

Vários desafios cercam a Igreja nestes dias marcados pela ansiedade coletiva, diluição dos paradigmas sociais e profunda solidão humana. Para enfrentá-los é preciso refletir, teologizar e finalmente por a mão no arado. Sem olhar para trás.

Precisamos encarnar a verdade de um Deus soberano, Senhor da Missão, que jamais poderá ser surpreendido por coisa alguma e, portanto, absoluto controlador de cada momento da nossa existência. Ao passo que nos esforçamos para assumir a nossa identidade cristã como sal e luz, uma comunidade chamada para fazer diferença na terra.

A primeira Missão da Igreja não é proclamar o evangelho, não é se expandir nem mesmo conquistar a mídia ou impactar a sociedade. A primeira Missão da Igreja é morrer. Perder os valores da carne e ser revestida com os valores de Deus. É se “desglorificar” para glorificar o seu Deus.

Quando perguntaram a George Müller sobre o segredo do seu ministério, a sua resposta imediata foi: “O segredo de George Müller é que George Müller morreu já há alguns anos atrás”. É preciso reafirmar em nossos dias o motivo da nossa existência: a glória de Jesus, Senhor da Igreja. É tempo de reconhecer que Deus é maior do que nós.

Inquieto-me ao ver uma atual verdade nas antigas palavras de Cirenius, teólogo bizantino, quando afirmou que “a Igreja sofrera a tentação de desenvolver a sua personalidade e perder a sua finalidade. À imagem do primeiro homem, a Igreja também peca quando esquece o porquê está aqui e imagina ser suficiente apenas o existir. Torna-se assim tal qual uma linda rosa vermelha... a qual nasce, cresce, murcha e morre em um campo distante sem por ninguém ser vista, sem a nenhum olhar dar prazer”.

Percebo que vivenciamos a tendência da errática cristã a qual tenta incluir-se nas bênçãos do evangelho e se auto excluir de sua prática: a antibíblica vontade de ver a terra arada sem por as mãos no arado.

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Em meados do 1º século um cristão foi preso por seu testemunho e fé. Preso pelos Romanos. Este homem foi enviado a trabalhar em minas de César em uma ilha pouco habitada. Ao fim da sua vida, já velho, semi-cego e enfermo foi libertado para morrer em algum canto daquela ilha. Refugiou-se em algumas cavernas. Este cristão orou a Deus e pediu-lhe uma visão. O nome deste homem é João, a ilha chama-se Patmos e a visão que Deus lhe deu é o livro de Apocalipse.

No capítulo 5 de Apocalipse lhe é revelada o que chamo de “A Tríplice Missão”. A missão de Deus está centrada no verso 1. A missão de Cristo, do verso 5 ao 10 e a missão da Igreja do verso 11 ao 14.

I - A Missão de Deus é Reinar No primeiro verso Deus está sentado em um trono. Em sua mão direita segura o livro da História Humana, e história completa, pois está escrito por dentro e por fora.

Isto quer dizer que os nossos caminhos, nossas micro-histórias e nossos anseios estão seguros pela mão direita de um Deus que Reina soberanamente. E Ele está entronizado. Fica claro que na visão de João a missão de Deus é reinar.

Quando olhamos para a história da Igreja nos últimos anos em nosso país houve sobressaltos e surpresas. Entretanto Deus jamais se surpreendeu por coisa alguma, jamais perdeu o controle, jamais deixou de ser o dono da história, Senhor absoluto de cada detalhe da existência do universo.

Ronaldo visitou recentemente uma região próxima a Maraã no coração do Amazonas onde vivem os Kambeba, Kokama e Miranha. Eram tidos, até pouco tempo atrás, como grupos indígenas ainda não alcançados pelo evangelho. Tamanha foi minha surpresa ao chegar entre eles e ver ali a presença de uma forte igreja evangélica, que louva a Deus com fervor e amor. Procurando os autores daquele trabalho missionário nos apontaram alguns crentes ribeirinhos, especialmente o Sr. João, como é conhecido. Fui entrevistá-lo. Pessoa simples, quase iletrado, mas com tremenda paixão pelo Senhor Jesus. Com sua família vivia em um “flutuante” formado por um cômodo apenas e, além das redes, possuíam somente uma cadeira e uma panela. Contaram-me então como, através do escambo com os indígenas, conseguiram lhes transmitir o evangelho e plantar ali uma forte igreja.

Perguntei-lhe: “Mas como vieram parar aqui, em região tão distante?”

Ao que respondeu: “viemos ganhar a vida”.

“E como está a vida?” – lhe perguntei.

“Vai muito bem. Já plantamos 6 igrejas”.

Aqueles eram missionários sem sustento, aplausos ou reconhecimento. Eram servos de Jesus que confundiam o ganhar da vida com o ganhar de almas. Homens que passavam privações profundas para que o evangelho chegasse até ao final do rio Maraã. O sacrifício necessário rega a terra e abre as portas para o avanço. Mesmo perante um cenário de prejuízo social Deus continuou Senhor da História e enviou um ribeirinho a três tribos indígenas daquela região distante para fazer o impossível acontecer. A Missão de Deus é reinar.

A partir do verso 2 até o 4 há uma crise no céu. O livro está na mão de Deus, entretanto está fechado. Em um contexto judaico livro fechado significa história não resolvida.

E ninguém era digno de abri-lo. De dar resposta às vidas, às pequenas histórias, à macro-história humana daquele livro. Um ancião precipita-se e fala a respeito de um Leão. Leão da tribo de Judá. João alegra-se e procura pelo poderoso Leão, mas encontra apenas um Cordeiro. E o Cordeiro era

Digno! II - A Missão de Cristo é pagar o preço.

O centro do ministério de Cristo não foi sua encarnação nem sua ressurreição. O centro do seu ministério foi sua morte.

Em suas últimas palavras Ele bradou: “Está consumado”. Literalmente a expressão grega possui significado mais denso. “Tetelestai” era o carimbo colocado sobre o documento de compra de um escravo quando todo o preço já havia sido pago. “Tetelestai” era o registro legalmente reconhecido de que está pago. O Escravo foi comprado e jamais alguém poderá cobrar novamente o seu preço.

O que assegura-nos a vitória? Baseado em quê estamos aqui reunidos falando de um Deus o qual não vemos face a face e de um Cristo que viveu encarnado entre nós 2.000 anos atrás? No verso 5 o texto nos diz que o Cordeiro está “de pé”. Tinha aparência de morto, mas está “de pé”. Jesus está Vivo! E é esta maravilhosa verdade que enche de sentido o Cristianismo e diferencia a falsa religiosidade da experiência de um encontro com Deus. E Cristo então, com o seu sangue, compra, no versículo 9, homens de “toda língua, tribo, povo e nação”. O africano distante, o indígena no meio da mata, o vizinho ao lado da rua. Jesus pagou o preço por pessoas de todos os segmentos sociais humanos: “língua” (glosse, classificação lingüística); “tribo” (file: classificação familiar); “povo” (laos, classificação racial); “nação” (ethne: classificação étnica). Todos os segmentos sociais.

Entretanto, perante a verdade universal e irremediável de que o preço foi pago, ainda assim vivenciamos barreiras pessoais e eclesiásticas que limitam a expansão deste evangelho.

Vejo três grandes perigos, no Brasil, em nossa presente missiologia:

1º) Dos resultados substituírem o caráter no perfil do obreiro. O equívoco da valorização dos frutos em detrimento do coração piedoso e crente. A carnal tendência humana de definir ação missionária a partir dos resultados e não da intimidade com Deus.

2º) Da capacidade humana substituir a procura por dependência de Deus. O perigo de supervalorizarmos as nossas estruturas no que tange a logística, conhecimento, preparo acadêmico e capacitação em detrimento da prática de viver, trabalhar e sonhar tendo sobretudo no coração a incrível convicção de que nós dependemos de Deus.

3º) Das estratégias certeiras substituírem o compromisso com a Palavra no crescimento da Igreja e expansão da obra missionária. Nem tudo que dá certo é necessariamente bíblico e íntegro. Por vezes somos levados a escolher entre um rápido crescimento e um caminho mais lento, porém íntegro. Que Deus nos abençoe nestes momentos e façamos a escolha da integridade.

No verso 10 em diante encontramos a multidão dos santos. E diziam: “Digno é o Cordeiro de receber...”. E percebemos nos versos 11 e 14 que Ele os receberá da multidão dos santos, da Sua Igreja. Encontramos aí o cerne da nossa missão.

III - A Missão da Igreja é Servir ao Cordeiro.

Há 7 elementos que o Cordeiro, Jesus, receberá. A pergunta é: quem os dará? De quem Ele receberá? Dr. Russel Shedd chamou minha atenção para este texto e há aqui certamente 3 elementos teocráticos, que o Cordeiro receberá de Deus, e 4 elementos antropomórficos, que o Cordeiro deverá receber da Sua Igreja, cada um de nós.

O primeiro é a riqueza (ploton) e refere-se a nossa riqueza, nosso dinheiro, nosso ouro, prata e reais. Isto leva-nos a crer que o dinheiro dos santos tem como função prioritária servir ao Cordeiro Jesus. Como Ele deseja que eu use o meu dinheiro? Esta deve ser uma pergunta levantada por cada um dos santos.

O segundo elemento é a sabedoria (sofian) e aponta para a nossa inteligência humana, capacidade mental de raciocinar e processar pensamentos. Isto significa que nossa inteligência não possui como finalidade maior fazer-nos passar no vestibular ou conseguir uma promoção no emprego, mas sim servir ao Cordeiro em tudo aquilo que for prioritário para o reino.

O terceiro elemento é a força (Isxun). Nossa energia física e nosso suor. Devemos usar nosso corpo e capacidade de trabalho físico, sobretudo para servir ao Cordeiro Jesus. Nossa musculatura, saúde e suor devem estar a disposição de Cristo.

O último elemento aqui registrado é o louvor (eulogian), de ‘logia’, ‘logos’. Não se refere necessariamente aos nossos cânticos e adoração litúrgica, mas ao nosso louvor com palavras. Põe nossa atenção naquilo que falamos seja em casa, no trabalho ou ainda aquilo que murmuramos sem que ninguém ouça. Devemos colocar nossas palavras a serviço do Cordeiro.

A Missão da Igreja é Servir ao Cordeiro com tudo aquilo que tem de melhor. É cumprir os seus desejos mais profundos. E o Cordeiro possui muitos desejos. Estão relatados na Palavra do Senhor.

Um deles, entretanto, é ser conhecido por toda a terra, entre todos os povos. Este foi o seu desejo mais enfático. E um dos únicos que ainda não foi cumprido. Nós nos deixamos levar pelo brilho das catedrais e pelo calor dos holofotes. E nos esquecemos que o desejo primário do Cordeiro é que nosso dinheiro, sabedoria, força e louvor sejam usados para levar o Seu nome e fazê-lo conhecido fora dos nossos templos e programas eclesiásticos.

Jesus deseja ser conhecido no sertão Brasileiro, por vezes esquecido. Entre os indígenas no nosso país onde Missões Evangélicas lutam por décadas, bravamente, com pouquíssimo apoio eclesiástico e político. Missionários são retirados das aldeias sem a menor explicação e não há mobilização. Mas quando o novo código civil ameaçou taxar nossas igrejas vimos um grande levante de irmãos preocupados. Perdemos a prioridade de Jesus.

Jesus deseja ser conhecido na África distante e entre os islâmicos mais radicais. Entre os 2.227 PNAs e as 3.500 línguas sem a Palavra traduzida. Jesus deseja ser conhecido pelo homem que mora ao seu lado e àqueles que estão no gueto urbano mais inacessível.

Esta é uma grande verdade: Jesus deseja ser conhecido e, apesar de sermos mais de 20 milhões de evangélicos neste grande país, termos riquezas, sabedoria, força e louvor, Ele continua desconhecido em diversos lugares.

Jim Elliot foi um missionário que atuou com despojo e fervor entre os Auca no Equador. Piloto de Asas de Socorro foi martirizado pelos indígenas daquela tribo em 1956. Apesar do eco de seu ministério muitos poderiam julgá-lo como alguém que jogou fora toda sua vida deixando para trás esposa e filhos. Mas o código de vida do crente se baseia em outros critérios. Fala sobre perder a vida, lançar a semente mesmo de noite, andar a segunda milha e olhar além do horizonte. Em uma de suas cartas a irmãos na América Jim Elliot afirmou: “Viva de tal forma que, quando chegar a hora da morte, nada tenha a fazer senão morrer”.


Que Deus nos ajude a cumprir a nossa missão.

Fonte: Instituto Antropos – www.instituto.antropos.com.br

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A Igreja é a manjedoura de missionários – seu berço. (Parte 1)

Princípios gerais para o envio missionário por parte da Igreja local:

Nunca enviar para longe, os que não são bênção perto.

Este é o princípio da bênção de perto. Exemplo: um seminarista em um seminário, não queria trabalhar em uma favela (enquanto estudava) porque se dizia chamado para China. Alguém que não está disposto a se dar em seu lugar de habitação, não estará disposto a se entregar longe de sua terra. 

Este princípio nos leva ao entendimento de que a missão se faz em grupo, sendo que a Igreja sente como parte de si própria o missionário que envia. Ao mesmo tempo podemos assim fazer bem entendido que a missão da Igreja que se faz através do deslocamento de um dos seus elementos, não invalida o alcance do grupo. Promovendo assim, celebridades e egos exaltados, mostrando assim que aquele (a) que vai ao alcance do perdido em terras remotas, é por si só um gênio ou dominador, se podemos assim dizer das “artes missiológicas”.  

Entendemos que o correto envio missionário, pode ser mais comparado com a articulação de um membro do corpo, do que da dissociação deste. Pois, no decorrer do tempo, o que como Corpo de Cristo podemos aprender, é que o fato de nos entendermos como corpo, nos possibilita também a correta movimentação desse corpo. 

Retirando todo julgamento, críticas e maledicências com relação à expectativa missionária, o missionário é aquele que se vale dos dons e capacidades de Deus para enriquecer o grupo a que pertence, e se vale da riqueza do grupo como também dessas capacidades extraordinárias mandadas por Deus, para participar do alcance daqueles que ainda não conhecem o evangelho. 

Não queremos dizer com isso que pessoas que foram ao campo missionário, sozinhas e com pouco apoio não sejam enviadas por Deus.

1.    Submissão do missionário em relação à liderança da Igreja é importante, assim como o seu espírito de iniciativa: Uma pessoa que tem problemas em OBEDECER à liderança da Igreja terá problemas sérios no campo onde a maioria do trabalho missionário é feito em Equipe – 12 jovens no Chade. 6 tinham visto de entrada e 6 apesar de orientados a este respeito entraram clandestinamente. Os 12 foram presos, não puderam ser libertados nem pela ONU por causa dos vistos e foram fuzilados. 

2.    O missionário deve em primeiro lugar ser “descoberto” pela Igreja, antes de o ser descoberto pela Agência missionária: Quando o missionário recebe o seu chamado missionário ele deve ser DESCOBERTO pela Igreja, ou seja, a Igreja deve vê-lo como tal e o começo do investimento em Missões deve ser feito nele em primeiro lugar pela sua IGREJA LOCAL e não por uma agência missionária, para que ele não tenha a sua visão BITOLADA a respeito de Missões – “você está fora do centro da vontade do Senhor” – missionário de uma “agência” para alguém que decidira trabalhar com outra agência missionária...

3.    O Incentivo ao preparo: O preparo missionário deve ser visto com muita preocupação e cautela. Assim como um médico não pode exercer as suas funções sem antes estar preparado através de aulas, testes de conhecimento e anos de residência e especializações, assim também o missionário deve ser ministrado e experimentado, para exercer a função para o qual foi proposto. Sabendo que é representante da Igreja do Deus vivo e tem plenos poderes, sendo representante pessoal de quem o enviou.  

A Igreja deve incentivar o missionário a preparar-se adequadamente para o seu trabalho – o pouco preparo é uma das grandes causas de fracasso no campo. 

Exemplo: Espanha - A. F. enviado a trabalhar com islâmicos – converteu-se depois de um desafio. Tinha apenas um ano de estudo num instituto bíblico e era recém convertido. 

4.    A Igreja deve cobrar do missionário que tenha planos bem desenvolvidos a respeito do que irá fazer (não projetos de longo prazo, um projeto de vida): Expectativa do que a Igreja espera do missionário se dá justamente naquilo que ele passa para a Igreja sobre o seu ministério – isto deve ficar muito claro e é lógico estar aberto para mudanças no meio do percurso.  

“Missionária no norte da África que faz o trabalho urbano e que manda fotos para sua Igreja como plantadora de Igrejas entre não alcançados tribais”.

5.    Sustento não envolve somente dinheiro para despesas pessoais – há projetos que a Igreja deve se envolver: O trabalho entre os Konkombas (Ronaldo e Rossana Lidório, em Ghana, Africa) envolveu além do sustento pessoal dos missionários: uma clínica (hoje atende quase 10 mil pessoas por ano); escola formal (em inglês com professores nativos – 114 crianças); escola na língua majoritária – 180 pessoas já aprenderam a ler em suas próprias línguas; tradução da Palavra para a língua majoritária do povo – impressão é coisa cara; construções – casa; locomoção; taxas de visto, poços artesianos, remédios etc. 

6.    Trabalho missionário não envolve somente o ministério de plantio de Igrejas diretamente – aviões, mecânicos, construções, medicina, etc: Há uma grande parte que é o ministério de apoio estrutural – na área de construção, tradução, digitação, manutenção de contato com as Igrejas que fazem parte do projeto, controle financeiro, divulgação etc.

7.    A Igreja deve envolver-se no treinamento do missionário – a começar pelo seu CARÁTER CRISTÃO, que envolve uma análise detalhada por parte da liderança da Igreja na perseverança do missionário, em sua capacidade de sofrer, sua convivência em equipe, etc: Analisar detalhadamente a vida do missionário, acompanhando-o de perto, num acompanhamento pessoal, espiritual, testando seus dons e capacidades, e também, num dos itens mais negligenciados por parte da Igreja, num acompanhamento emocional/psicológico.  

Missionária inglesa preparada, uma das melhores escolas de línguas do país, conhecimentos profundos a respeito do povo, mas instável emocionalmente – tentou o suicídio por duas vezes na aldeia e teve que ser retirada do campo e proibida de voltar. 

Problemas pequenos podem ser resolvidos, mas que quando se avolumam com a pressão que ocorre fora de si, do campo, suas necessidades, expectativas da Igreja enviadora, etc. fazem com que tudo possa explodir e tornar grande uma pequena deficiência. 

8.    A Igreja deve preocupar-se com o sustento de maneira a analisar cada campo de maneira diferente – cada realidade deve ser analisada separadamente: No Equador alguém viveria razoavelmente – de acordo com informações colhidas através de uma missionária equatoriana com 400 dólares – em Ghana 400 dólares é o que se gasta todas as vezes que o missionário no norte vai ao supermercado – só de combustível! 

Igreja local que cortou o sustento de um missionário porque descobriu que em suas compras (feitas de 4 em 4 meses) ele incluía uma caixa de coca-cola em lata. 

9.    Considerar o missionário “missionário” quando está no campo e quando está de volta – há Igrejas que deixam de mandar o sustento quando o missionário volta para o Brasil: Há missionários que vem para o Brasil de volta de suas Igrejas e passam por dificuldades tremendas na área financeira – isto faz com que cada vez mais tenham pouca vontade de voltar para suas Igrejas. Agências muitas vezes têm criado casas ou aptos para missionários em “férias”. 

10.  Quem deve pastorear os missionários? 
Às 6 horas da tarde, depois de levantar às 4 da manhã, ter passado por um período de trabalho intenso, calor insuportável, eu ouvia na aldeia os tambores e sei que é feitiçaria que irá começar, com sacrifícios (algumas vezes, até 300 animais numa única noite para os espíritos) e que até mesmo crianças podem ser sacrificadas, sem ter contato com minha língua, numa terra estranha, com costumes estranhos, lembro-me de um período de louvor na Igreja, sinto saudade. 

Missionários são pessoas que precisam de pastores. Isto é função da Igreja, mesmo à distância. 

Mandar cartas, fitas gravadas com o louvor da Igreja, mensagens do pastor, conversas de irmãos, e tantas outras coisas que faz falta. Alguns contatos são complicados, às vezes e-mails podem ser censurados, muitas vezes em alguns países não se tem acesso a redes sociais. 

A Igreja cobra muito para receber RELATÓRIOS, mas dificilmente vê-se uma Igreja que mantém seu missionário informado do que está acontecendo no meio da sua comunidade. 

11.  A Igreja deve preocupar-se com o descanso na volta do seu missionário – sua saúde, sua reciclagem teológica, missiológica, emocional e espiritual: Participei de uma conferência na Igreja Batista de Santo André – conferência de 10 dias – Curso de reciclagem missionária, tanto na área de Missiologia, como Antropologia cultural e Fenomenologia religiosa, além de cuidados pessoais com Jaime e Gloria Young – da SEPAL. A igreja cuidando dos seus vocacionados. 


Providenciar um período de descanso, isolado dos trabalhos da Igreja em local onde verdadeiramente o missionário e sua família possam descansar.
Prof. Gedeon J Lidório Jr
Profa. Auriciene Araújo Lidório

domingo, 14 de junho de 2015

Pacto de Lausanne - 1974

INTRODUÇÃO
Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.
1. O Propósito de Deus
Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.
2. A Autoridade e o Poder da Bíblia
Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.
3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo
Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se ofereceu a si mesmo como único resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e os homems. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como "o Salvador do mundo" não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.
4. A Natureza da Evangelização
Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.
5. A Responsabilidade Social Cristã
Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.
6. A Igreja e a Evangelização
Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.
7. Cooperação na Evangelização
Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.
8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização
Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua efetividade como parte da missão da igreja.
9. Urgência da Tarefa Evangelística
Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para-eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não-alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.
10. Evangelização e Cultura
O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.
11. Educação e Liderança
Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiáticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.
12. Conflito Espiritual                                                                                   Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e postestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes à aceitação do mundanismo em nossos atos e ações, ou seja, ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. Tudo isto é mundano. A igreja deve estar no mundo; o mundo não deve estar na igreja.
13. Liberdade e Perseguição
É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem quaisquer interferências. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que têm sido injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Nós não nos esquecemos de que Jesus nos previniu de que a perseguição é inevitável.
14. O Poder do Espírito Santo
Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.
15. O Retorno de Cristo
Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a idéia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.
CONCLUSÃOPortanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!
       [Lausanne, Suíça, 1974]